VMware depois da Broadcom: como migrar para o Google Cloud VMware Engine sem replataformizar

A renovação do contrato VMware chegou e, com ela, uma conta que não estava no planejamento. Em muitas empresas, os projetos de dados e IA foram empurrados para o próximo ciclo porque o orçamento de infraestrutura ficou comprometido em manter o que já existe.
Para CIOs e CTOs, a pergunta deixou de ser se vale repensar o ambiente VMware. Agora é como fazer isso sem parar a operação, sem reescrever aplicações e sem perder o conhecimento que a equipe acumulou em anos de vSphere.
Migrar VMware para o Google Cloud com o Google Cloud VMware Engine (GCVE) responde a essa pergunta. O ambiente vai para a nuvem do Google como está e passa a conviver, na mesma rede, com BigQuery, a Gemini Enterprise Agent Platform (antigo Vertex AI) e o Gemini.
Neste artigo, explicamos o que mudou no licenciamento, como funciona a migração para o GCVE, o que se ganha com ela e como a Maplink Cloud estrutura esse caminho, do TCO Assessment ao funding do Google.
O que mudou no licenciamento VMware e por que o orçamento ficou preso
Desde que a Broadcom concluiu a aquisição da VMware, no fim de 2023, o modelo comercial mudou em quatro frentes:
- Fim das licenças perpétuas. A VMware passou a ser vendida apenas por assinatura. Quem tem licenças perpétuas continua rodando, mas suporte e atualizações só vêm com uma assinatura ativa.
- Portfólio consolidado em pacotes. Mais de 160 SKUs foram reunidos em poucos bundles, com destaque para o VMware Cloud Foundation (VCF) e o vSphere Foundation (VVF). Recursos antes comprados à parte agora vêm no pacote, sejam usados ou não.
- Cobrança por core físico. A métrica deixou de ser o socket e passou a ser o core, com mínimo de 16 cores por CPU.
- Pisos mínimos por pedido. Em abril de 2025, a Broadcom passou a exigir um volume mínimo de cores por compra, o que pesa mais em ambientes enxutos.
O efeito prático vai além do preço. O que era investimento com suporte anual virou despesa recorrente, negociada em janelas curtas e com pouca margem para reduzir escopo. Processadores mais densos aumentam a contagem de cores, e o ambiente on-premises ainda carrega data center, energia, contratos de hardware e ciclos de refresh.
O resultado é o que muitos líderes de TI descrevem como orçamento preso em renovações: a verba que deveria financiar dados, IA e modernização é consumida para manter a infraestrutura de pé. E renegociar raramente muda essa equação. O que muda é onde e como esse ambiente roda.
GCVE: o mesmo vSphere, sem re-arquitetura
O Google Cloud VMware Engine roda a pilha VMware completa (vSphere, vCenter, vSAN, NSX e HCX) de forma nativa, em infraestrutura dedicada do Google. Hardware, firmware e atualizações da plataforma ficam com o Google. A sua equipe continua administrando as VMs com as mesmas ferramentas de hoje.
A migração usa o próprio VMware HCX, que já vem configurado no ambiente de destino. Na prática, isso significa:
- Sem replataformizar. As aplicações não são reescritas nem convertidas. A VM que roda hoje no seu data center é a mesma que vai rodar no GCVE.
- Sem trocar endereços IP. A extensão de rede permite migrar em ondas, mantendo IPs e dependências entre sistemas.
- Migração a quente ou em lote. O vMotion move cargas críticas com interrupção mínima; a migração em massa acelera o restante.
- Mesmos processos. Runbooks, políticas de segurança e ferramentas de backup e monitoramento continuam valendo.
Para empresas da América Latina, há um ponto extra: o GCVE está disponível nas regiões de São Paulo e Santiago, o que ajuda em latência e em requisitos de residência de dados.
Um esclarecimento importante sobre licenças
Desde 1º de novembro de 2025, a Broadcom permite o VCF em nuvens públicas apenas pelo modelo “traga sua própria licença” (BYOL). O Google foi o primeiro hiperescalador a oferecer esse modelo, em 2024, e, desde 15 de outubro de 2025, não vende mais novos nós do GCVE com a licença VCF incluída.
Na prática, a assinatura VCF vai com você para a nuvem: você a compra diretamente da Broadcom e paga ao Google pelos nós de infraestrutura do GCVE. O que fica para trás é o resto da conta: data center, energia, refresh de servidores e capacidade ociosa, já que no GCVE a capacidade é dimensionada em nós, que podem ser adicionados ou removidos conforme a demanda. Por isso, a comparação de custos precisa considerar as duas faturas, a da Broadcom e a do Google.
Em outubro de 2026, o Google anunciou também uma opção autogerenciada de VMware, que convive com o GCVE gerenciado. Ela roda o VCF 9 em infraestrutura bare metal dedicada, dentro da sua própria VPC, com acesso administrativo total e licença BYOL. No GCVE gerenciado, o Google cuida de patches e atualizações; na opção autogerenciada, o ciclo de vida da plataforma fica com a sua equipe ou com um parceiro. A disponibilidade chega por regiões a partir do quarto trimestre, então vale confirmar a cobertura na América Latina.
O que se ganha: BigQuery e Gemini Enterprise Agent Platform ao lado das suas VMs
O maior ganho de migrar VMware para o Google Cloud não aparece na fatura de infraestrutura. Ele aparece no que a empresa passa a conseguir fazer com os dados que já tem.
No GCVE, as VMs se conectam por rede privada e de baixa latência aos serviços nativos do Google Cloud. Sistemas legados que antes ficavam isolados no data center passam a conversar diretamente com a plataforma de dados e IA do Google:
- BigQuery para analytics. Dados do ERP, do CRM ou de sistemas operacionais podem alimentar o BigQuery sem que a aplicação de origem mude. Relatórios que levavam horas passam a rodar em segundos.
- Gemini Enterprise Agent Platform (antigo Vertex AI) e Gemini sobre dados reais. Modelos e agentes de IA podem consumir informações das aplicações que continuam em VMware. É o caminho mais curto para tirar projetos de IA do piloto.
- Modernização no seu ritmo. Com o ambiente já no Google Cloud, cada aplicação pode ir para Compute Engine, GKE ou serviços gerenciados quando fizer sentido para o negócio, e não por imposição de prazo.
Para empresas com operação geolocalizada, como logística, seguros, varejo e utilities, há uma camada a mais. Dados operacionais no BigQuery podem ser cruzados com o Google Maps Platform para analisar rotas, cobertura e demanda por região. É uma combinação que a Maplink Cloud conhece de perto, depois de mais de 25 anos trabalhando com dados geoespaciais na América Latina.
Em outras palavras: a migração deixa de ser só uma resposta ao custo e vira a base da estratégia de dados e IA.
Do diagnóstico à produção: como a Maplink Cloud conduz a migração
Decisões de infraestrutura desse porte precisam de números do seu ambiente, não de médias de mercado. Por isso, a Maplink Cloud organiza a jornada em três etapas, cada uma com uma entrega concreta:
- GCVE TCO Assessment, em 30 minutos. Com um inventário básico (número de VMs, hosts, cores e data de renovação do contrato), comparamos o custo total do ambiente atual com o cenário no GCVE: licença, infraestrutura, operação e capacidade ociosa. Você sai da conversa com uma visão clara de onde está o custo e do que muda com a migração.
- POC de 10 VMs em 2 semanas. Migramos workloads reais, de baixa criticidade, usando HCX. A equipe valida desempenho, conectividade e processo de rollback antes de qualquer compromisso maior.
- Migração em ondas e operação contínua. Com o POC aprovado, o restante do ambiente migra em ondas planejadas. Depois, os Serviços Gerenciados da Maplink Cloud assumem monitoramento, gestão de capacidade e suporte 24×7 em português e espanhol, com SLA.
Funding do Google para migração
O custo da migração em si não precisa sair inteiramente do seu orçamento. Pelo Rapid Migration and Modernization Program (RaMP), renovado pelo Google em janeiro de 2026, o Google financia parceiros para avaliar o ambiente, montar o business case e executar a migração.
O programa também prevê créditos de Google Cloud conforme o uso cresce e incentivos adicionais para workloads complexos, entre eles VMware. A elegibilidade e os valores são definidos caso a caso. Como Premier Partner do Google Cloud, a Maplink Cloud estrutura a proposta e conduz o processo de aprovação junto ao Google.
Por que fazer essa migração com a Maplink Cloud
A Maplink Cloud está há mais de 25 anos unindo geolocalização, nuvem e inteligência de dados para empresas de toda a América Latina, com operação no Brasil, na Argentina, no Chile e no México. Premier Partner do Google Cloud e Google Maps Platform, com uma abordagem Cloud & AI First, cuidamos da jornada completa: assessment, landing zone, migração, dados com BigQuery e IA com a Gemini Enterprise Agent Platform e o Gemini.
A diferença está no dia seguinte à migração. Seu time ganha um parceiro que conhece o ambiente, responde no seu idioma e opera sob SLA, para que os engenheiros voltem a construir produto em vez de manter infraestrutura.
Conclusão
As mudanças da Broadcom transformaram a renovação VMware em uma decisão estratégica. Ficar parado também é uma escolha, e costuma ser a mais cara. Com o Google Cloud VMware Engine, é possível sair do data center sem reescrever aplicações, manter as ferramentas que a equipe domina e colocar os dados da empresa ao alcance do BigQuery e da Gemini Enterprise Agent Platform. Com o funding do Google, parte do caminho já vem financiada.
O primeiro passo leva meia hora.
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